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Saidinha da casca

O blog pessoal de uma aprendiz da vida. Espaço de partilha de devaneios, teorias sensacionalistas, gostos, ideias, curiosidades e opiniões pertinentes sobre tudo, nada e mais um pouco.

Saidinha da casca

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O Trump pôs os americanos a descoberto

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O Donald Trump é o presidente dos Estados Unidos da América, o Dona..., não, WTF. Não, eu ainda não acredito. Ainda estou à espera que  Hillary faça como o Costa e arranje um estratagema qualquer para ascender ao cargo presidencial mesmo sem ter sido eleita.Bem isto também depende do ponto de vista é verdade que o Trump venceu por esmagadora maioria pelo sistema americano, se fosse em Portugal Hilary seria presidente. Confuso? Pois é o sistema eleitoral americano. Os estados com maior população são mais decisivos, podem eleger um maior número de delegados. Quem obtiver mais de metade dos representantes, que constitui o colégio eleitoral, vence as eleições. A Hillary teve maior número de votos eleitorais do que o Trump, no nosso país estava ganho, mas nas terras para lá do oceano como a candidata venceu nos estados mais pequenos, elegeu menos representantes, não chegando à metade mínima necessária para vencer.

 

Quando foi anunciado que o Trump seria um dos candidatos à presidência dos EUA o mundo não o levou a sério, era só mais uma excentricidade de multimilionário com uma janela nos mídia. Esta abertura permitiu-o chegar a milhões de americanos. A intenção não era de todo promovê-lo como candidato político, era mais noticiar o descabimento das ideologias daquele homem. Trump sempre foi notícia pelos piores motivos, pelos discursos racistas, xenófobos e misóginos que compunham a sua campanha. Como poderia alguém votar nesta ave rara.

 

De início eu pensei que seria muito fácil para a ex-primeira dama chegar à cadeira, com o passar do tempo vi as coisas a complicarem-se, mas nunca ao ponto de ter tal surpresa. Acompanhei as primeiras contagens dos votos, quando me fui deitar o Trump já estava na frente, aí as esperanças na vitória da Hillary foram pelo ralo abaixo, esperava um choque maior, mas este nunca veio. Talvez porque estivesse descrente naquilo que a maior parte de nós considera ser de bom senso, ou porque me mentalizei do que nunca ninguém pode prever em nenhuma sondagem, as pessoas são imprevisíveis para os outros, porque nunca conhecemos verdadeiramente quem nos rodeia.

 

O mundo já tinha ficado estupefacto com o tiro no pé que foi o Brexit, os americanos não quiseram ficar para trás na corrida ao prémio da decisão política mais idiota dos últimos anos e saíram-se com esta personagem como presidente. Dos nossos (pseudo) melhores amigos, no dia seguinte, chegaram as notícias de que os britânicos votaram mas arrependeram-se porque nunca passaram que aquilo fosse acontecer. Dos americanos esperava uma explicação do mesmo género para o que aconteceu. Não chegou nenhuma, não é preciso explicar o óbvio, o Trump venceu por vontade do povo, os cidadãos votaram de forma consciente. Tendo o país estado muito dividido foi normal as notícias de manifestações, todas nos estados com mais apoiantes de Clinton.

 

Esta vitória vem pôr a descoberto o que sempre lutamos para negar e nos esforçamos muito por encobrir, existe e sempre existirá racismo (e ponto). Até agora foram feitos insultos velados, mas quando alguém tão abertamente vem dar reforço aos pensamentos mais profundos de muita gente cria a ideia de que talvez estas ideologias não sejam assim tão reprováveis. Não falta quem pense, mas só o Trump é que tem coragem para dar voz à realidade de que ninguém fala. Não é o mundo que está a mudar, são as pessoas que cada vez mais perdem a vergonha de dizerem o que realmente pensam, mesmo que choque a sociedade, mesmo que não seja aceitável. A coisa mais estapafúrdia é a promessa da construção de um muro para manter os mexicanos afastados, que representam a maior fração da imigração, (cuidado que o mundo também pode pensar em seguir o exemplo e tomar medias anti-Trump). O país é a grande potência que é pela capacidade de atrair cérebros, vindos dos quatro cantos do mundo, de todas as raças e credos, são os melhores dos melhores, em diversas áreas, especialmente nas ciências e tecnologias, que tanta riqueza geram.

 

Mas nem tudo é mau nesta figura para lá de mediática. O slogan da campanha "Make America great again" é realmente muito bom, fica no ouvido, é inspirador, promete recuperar a glória de tempos passados, devolvendo aos americanos aquilo que ao longo dos anos foram perdendo, o utópico american dream. Nada disto são medidas  concretas traduzidas em resultados, é apenas poético, dá esperança a quem já está farto de promessas, é mais fácil fazer acreditar num sonho do que em ocas palavras. Isto vindo de um homem que tem como maior trunfo a grandeza da sua carreira. Não há quem alcance o estatuto de multimilionário à toa, são precisas muitas capacidades de gestão e administração empresariais, que também são imprescindíveis ao governo de uma nação. Estas características estão presentes, ainda que peque pela falta de experiência política. Por isso, fazer duplicar a atual economia tornando-a na mais forte do mundo é um plano muito ambicioso, que não consigo ver como possa ser alcançado com a reconstrução e modernização de infraestruturas. 

 

Donald foi anunciado como presidente, e o que se seguiu? O discurso da vitória já mostrava um outro perfil do agora chefe da maior potência mundial, muito mais contido e desprovido de todas as ideologias polémicas. O que mais contrastou foi a sua afirmação de que seria o presidente de todos, t-o-d-o-s, isto inclui aquelas minoria que tanto insultou durante a corrida ao poder e a forma cordial com que mencionou Hillary Clinton. Há uma clara diferença entre Donald Trump e o presidente dos EUA. Um homem não manda sozinho, ele pôde dizer tudo o que quis da boca para fora durante a campanha, mas o caso mudou de figura, ele é o representante de uma nação, tudo o que diz tem impacto sobre os seus governados. E Trump não chegaria a Trump sem saber disto. Muitas intenções não passarão disso, o muro pode nem chegar ao papel. Eu tenho esperança que com as pessoas certas ao seu lado a grande nação não bata no fundo. Quem sabe, talvez com tão baixas expectativas nos surpreendamos todos. 

 

 

 

God bless America the americans (they will need it).

 

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