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Saidinha da casca

O blog pessoal de uma aprendiz da vida. Espaço de partilha de devaneios, teorias sensacionalistas, gostos, ideias, curiosidades e opiniões pertinentes sobre tudo, nada e mais um pouco.

Saidinha da casca

O blog pessoal de uma aprendiz da vida. Espaço de partilha de devaneios, teorias sensacionalistas, gostos, ideias, curiosidades e opiniões pertinentes sobre tudo, nada e mais um pouco.

A esperança média de vida dos smartphones

Não sou muito obcecada em ter sempre os gadgets mais modernos e das marcas trends, as únicas apples que tenho estão na fruteira. Se me perguntarem qual o modelo do meu telemóvel, só sei que é um Sony Xperia uma letra qualquer, bastante popular, conheço três pessoas com um igual. Os smartphones são uma coisa relativamente recente, com quê cinco, seis anos. Eu comprei o meu há quatro anos quando ainda só metade dos meus colegas na faculdade também tinham. São muito atractivos, o design simples e clean, sem as teclas, as variadas e versáteis aplicações dão a hipótese de personalizar o aparelho, senti-me tão à frente no uso da tecnologia. Não o largava por nada, a bateria durava um dia e pouco.

 

Mas agora estou com um ódio ao meu smartphone, testa a minha paciência, está muito lento, as apps já deixam de responder e fecham automaticamente, deslizo para atender mas demora a que consiga ouvir e ser ouvida. Tenho de comprar outro porque este já não funciona bem. Agora os smartphones são como os computadores, têm um tempo de vida muito limitado e o do meu está a chegar ao fim.

 

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Antes desta nova era raramente alguém mudava de telemóvel porque avariou ou deixou de funcionar, era sempre porque havia um modelo mais recente, melhor e com novas funcionalidades. O meu telemóvel anterior, com sete ou oito anos funciona perfeitamente até ao dia de hoje, uso-o menos frequentemente, com outro cartão. Aquilo sim é uma maravilha, cabia em qualquer bolso, a bateria durava uma semana, não era preciso actualizar, no modo silencioso quando vibrava parecia um terramoto, nada passava despercebido.

A decisão drástica de Alicia Keys

 

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A Alicia Keys insurgiu-se contra a ditadura da máfia dos cosméticos, despediu-se para sempre da maquilhagem. Os motivos apresentados neste artigo são muito legítimos, "estava farta" de contribuir para uma imagem da mulher que não existe, "sexy, magra, desejável, perfeita", de ser julgada pelas mulheres e dos estereótipos veiculados pelos média que os corpos de tamanho normal não o são. Essas inseguranças passaram para as letras do seu novo álbum e a Alicia descobriu-se a si mesma e decidiu tomar uma atitude drástica, mostrar quem realmente é. 

 

É uma decisão muito corajosa, mas será mesmo que a cantora a vai conseguir manter? É difícil de abdicar desta máscara de perfeição quando se vive sob os holofotes. Para o público que a aprecia como cantora nada muda, o que interessa é a música e a pessoa que é a artista, não a sua cara. Mas os cantores conseguem fazer chegar o seu trabalho a mais ouvidos dependendo da fama, onde o natural está sempre encoberto. As revistas fazem produções fotográficas glamorosas, as marcas convidam para embaixadoras algumas das mais belas mulheres de Hollywood, quando a imagem vale mais que mil palavras esta forte mensagem feminista perde-se, caso estes convites diminuam. Daqui para a frente veremos as consequências da decisão na carreira da Alicia. 

 

Relativamente à mensagem, foi hasteada mais uma grande bandeira feminista, por uma grande celebridade. Nesta sociedade de máscaras e plasticidade é normal sentimo-nos deslocadas. Há duas posturas que podemos adoptar, aceitar o que a sociedade nos faz acreditar serem defeitos, mas na verdade é natural e real, ou esconder a nossa real aparência. Uma grande tendência é a maquilhagem "no make up", a pior forma de vender o falso como verdadeiro, que sai ao final do dia com uma gota de desmaquilhante num algodão.

 

Quando era criança, com os meus 4-5 anos, adorava usar o estojo de maquilhagem, sapatos e carteiras da minha mãe para montar o meu show privado. Era batons partidos, verniz desperdiçado, lips gloss nos olhos ... que confundia com sombra líquida ... agora há tutoriais que ensinam a fazer uma maquilhagem integral usando apenas um batom, eu já na altura era uma visionária, mesmo sem saber. Não sei se é digno da minha pena ou oração aos céus não ter fotos minhas nessas figuras. Eu levava uns raspanetes, umas sapatadas, a caixinha mágica mudava de esconderijo, até as minhas capacidades de investigação levarem a melhor, depois o ciclo começava novamente. Às vezes lá tentava surrupiar um produto qualquer, assim como quem não quer a coisa, para ver se ficava para mim. Durante os meus 21 anos nunca me maquiei à séria, foi sempre uma brincadeira de criança. Simplesmente desinteressei-me, não cultivei o jeito e agora já não tenho muita vontade de voltar a experimentar. Primeiro porque acho que a longo prazo os produtos que usamos no rosto nos fazem envelhecer mais e depressa. Depois porque durante alguns momentos do dia, em condições normais (não sob a poderosa luz intensa e branca das esteticistas ou provadores das lojas de roupa, que nos fazem questionar se fomos mordidas por zombies sem nos apercebermos), não me acho assim tão feia. Na minha adolescência pensava que chegaria uma certa idade em que a minha pele voltaria a ser como era, que estava apenas a atravessar uma fase passageira, estava monumentalmente enganada. Tenho esporadicamente uma ou outra borbulha e marcas das que desapareceram, principalmente quando aquela altura do mês ataca, um ou outro ponto negro, duas marcas da varicela observáveis em certos ângulos e determinada incidência da luz, o queixo esse sim, cheio de pequenos pontinhos esbranquiçados, mas só percepcionados por mim porque não se vêm, apenas sentem. E assumo-me assim, como sou, a toda a hora, ao natural.

 

E a quem tem insegurança ou insatisfação com o aspecto deixo o conselho de uma terapia infalível e grátis, vá ao Google e procure fotos de celebridades sem maquilhagem. Vai pensar logo que aquela estrela de cinema, que pensava conhecer tão bem e de quem é fã, sofre de uma doença terminal ou caiu na armadilha da droga. É apenas  Hollywood despido, ao patamar dos comuns mortais.

Os colégios privados deviam ter vergonha

Já ando muito farta das notícias das manifestações dos colégios financiados com verba pública. Tenho dois primos numa destas escolas, então a minha avó anda com as antenas afinadas a toda esta novela.

 

A minha avó na cozinha e eu na sala, cada divisão com a sua televisão.

 

A: PÕE NA QUATRO.

E: Mas porquê.

Mudo de canal.

E: O quê é que tem?

A: Está a dar das escolas.

 

Eu vivo a dez minutos de distância dos meus primos e estudei numa escola pública, não há assim tanta falta de opção como dizem, crianças que estão a quilómetros de distância do ensino público. É que não acabaram com todos os contratos, apenas cortaram o financiamento para metade. Apoiava completamente a luta se achasse que as escolas precisavam mesmo deste financiamento. Mas os meus primos num intervalo de dois meses tiveram duas "visitas de estudo" de três dias ao Reino Unido e à Suíça, os dois, um no nono e outro no décimo primeiro ano, mas às viagens adequavam-se perfeitamente nos programas curriculares dos dois. É para estes passeios que serve o dinheiro dos contribuintes. Porque duvido que se os meus primos tivessem de pagar os trezentos euros, vezes dois, em sessenta dias, como na minha escola em viagens do género (e não "visitas de estudo") tivessem ido.

Mais sobra para, por exemplo, aumentarem o financiamento ao ensino superior, que as propinas são obrigatórias para todos, e um grande rombo no orçamento dos estudantes deslocados, como se já não bastassem as rendas e os transportes .

José Cid e a permanência das palavras

 

Não sou a única na onda das polémicas recessegas, o Facebook acordou para a entrevista a José Cid feita por Nuno Markl há seis anos, para o canal Q, retransmitida por estes dias. Entre outros formosos elogios o cantor disse que as pessoas de Trás-os-montes são "medonhas, feias, desdentadas". Olha só o roto a falar mal do esfarrapado, não há espelhos em casa, pois não. O José Cid sofre da doença do Hitler que considerava as pessoas de raça ariana, altas, de cabelos e olhos claros, superiores às outras, ele próprio era baixo, gordo, de cabelos e olhos escuros. O cantor também que se deixe estar que não caminha para galã. “Costumo dizer que devíamos construir uma muralha da China em Trás-os-Montes, para não deixar passar alguma música que vem de lá”. A música do José Cid também culturalmente não é nada interessante, "como o macaco gosta de banana eu gosto de ti" é tudo menos poético. "Essas pessoas do Portugal profundo já deveriam ter evoluído. Tenho discussões com pessoas que nunca viram o mar e nunca foram ao Pavilhão Atlântico". O José é que deveria ter evoluído e não dizer estas palermices, mas a idade tem destas coisas. Eu também nunca fui ao Pavilhão Atlântico mas não sou nenhuma pacóvia, até já saí de Portugal várias vezes.

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Compreendo que os transmontanos se tenham sentido ofendidos, se eu habitasse nessas terras também me tinha sentido assim. A Alfândega da Fé cancelou o concerto do músico, muito bem, eu não convido para minha casa oferecendo cházinho e bolos quem me insulta. Agora que todo o país entre no mantra #somostodostrasosmontes e, tal como a personalidade com que se indignam, despejem a primeira barbaridade que lhes vem à tola nas redes sociais não ajuda em nada a enaltecer a região. Estão apenas a tentar manter-se nesta espécie de moda, a de seguir as correntes de insultos nas redes sociais. Que a entrevista foi de muito mau gosto e falta de respeito foi. Mas chegar ao ponto de ameaçar alguém de morte é demais, anda por aí muita gente a abusar da liberdade de expressão que tem. O cantor já pediu desculpa por uma coisa que provavelmente nem se lembrava de ter dito. Se fosse agora será que diria o mesmo? nunca saberemos.

 

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