Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Saidinha da casca

O blog pessoal de uma aprendiz da vida. Espaço de partilha de devaneios, teorias sensacionalistas, gostos, ideias, curiosidades e opiniões pertinentes sobre tudo, nada e mais um pouco.

Saidinha da casca

O blog pessoal de uma aprendiz da vida. Espaço de partilha de devaneios, teorias sensacionalistas, gostos, ideias, curiosidades e opiniões pertinentes sobre tudo, nada e mais um pouco.

Portugal contra o mundo

 

Portugal-win-Euro-2016.jpg

Euro-2016-Final-Portugal-v-France.jpg

 

 

Este ano foi a maior prova de que até ao lavar dos cestos é vindima. Não sou muito de torcer pelo meu clube, mas quando é a seleção em campo eu não sou eu, mal controlo os nervos e emoções. Eu estava a ver a coisa tão mal parada nos primeiros jogos que me quis abster de fazer grandes comentários, preferi fazê-lo no final da participação da seleção, só que estava longe de imaginar que o final só seria agora.

 

Logo desde o início, o europeu obriga a que o futebol seja rei, os súbditos portugueses decoram as varandas e janelas com bandeiras e ostentam cachecóis na parte traseira dos carros. Criam-se 638 músicas de apoio, fazem-se anúncios televisivos de componente futebolística (o Ronaldo até participa em metade deles), todos os canais têm programas de análise desportiva e fazem-se especiais a acompanhar a seleção. Tudo é notícia, desde o cabeleireiro que fez o penteado do Nani, ao supermercado onde são comprados os alimentos para confecionar as refeições dos jogadores. A não esquecer é claro do incidente do microfone e do directo das buscas e resgate.

 

O último jogo de preparação de Portugal foi frente à Estónia, uma festança 7-0, os portugueses ficaram cheios de gana. Nos jogos amigáveis Portugal é um leão, nos a valer é um gatinho. A Islândia deveria ter sido um adversário fácil, classificaram-se este ano pela primeira vez para um europeu. Estávamos tão enganados, a entrada não foi com o pé direito. Os jogadores também devem ser fãs de Game of Thrones, é a única explicação, só podem ter ficado intimidados com as ameaças do Montanha. Os trezentos mil habitantes chegaram para baixar a crista aos dez milhões de galos. Contra a Áustria o jogo foi um aborrecimento, com a Hungria um desespero, foi o jogo taco-a-taco, a Hungria marca e tem vantagem, Portugal corre atrás e iguala. Alternamos três vezes entre a desilusão e a euforia, estivemos três vezes fora da competição mas fizemos sempre o caminho de volta. A cumplicidade é tanta até houve a troca de um bilhete entre o selecionador e Cristiano. Passada a fase de grupos, ainda sem vitórias, tornamo-nos os "empatugas", aos poucos fomos alcançando o cada vez mais improvável. Os penáltis no jogo contra a Polónia deixaram-me numa pilha de nervos, foi quando mais acreditei que íamos arrumar as chuteiras.

 

Como por milagre chegamos á final. Os profetas da desgraça já anteviam uma repetição do Euro 2004. E não é que tinham razão, nesse ano a equipa da casa teve a taça roubada e ontem os franceses tiveram o mesmo destino, para os portugueses quebrou-se a maldição. Ninguém apostava em nós nem a feijões, o mundo espantou-se com a nossa presença na final, já davam o título como certo para França. Ao contrário de todos, Fernando Santos sempre acreditou, não era delírio, era a convicção de que seria possível cumprir um sonho. Disse que só vinha para casa hoje e seria recebido em festa, cumpriu. Mais do que um excelente profissional demonstrou ser um líder espiritual e motivacional para a equipa. Com humildade fomos sempre fintando as criticas a que sempre fomos sujeitos, e usamo-as como escada para subir até à vitória.

 

Somos a seleção à rasca, representa bem o espírito do português, faz tudo em cima do joelho e sem margem de manobra. Como veio sendo hábito, excepto uma vez, os 90 não nos chegaram, o golo veio aos 109 minutos pelos pés do improvável e subestimado Éder. Houve mesmo um atentado em campo #PrayforParis, a bomba rebentou na baliza dos franceses, não foi um golo de sorte, mijadinho, foi um golaço. Que digam que Portugal não joga nada e não merece o titulo, não interessa, dos merecedores não reza a história, esta escreve-se pelos vencidos e vencedores. E o que fica é que Portugal venceu no dia 10 de Julho de 2016 o seu primeiro título de campeão europeu. É essa a mensagem dos dégueelasses (nojentos) ao mundo, ainda não receberam a carta.

 

 

E os franceses...

 

nem acreditam na derrota, já tinham tudo preparado para a celebração. Este autocarro foi apanhado nas ruas pouco movimentadas de Paris ainda antes do jogo. Deixem lá ainda o podem usar daqui a 12 anos, é só mudar a pintura. É para aprenderem a nunca cantarem vitória antes do tempo, que pode sempre haver prolongamento.

 

France-bus-main.jpg

Hoje a derrota estampa todos os jornais.

ng7276298.jpg

ng7276303.jpg

ng7276308.jpg

 

 

Como tinha acontecido sempre a Torre Eiffel tem ostentado as cores da bandeira de equipa vencedora. Em vez disso, ontem, foi iluminada com as cores de França por uns cinco minutos e depois ficou totalmente apagada, deduzo que pelo luto da seleção. Mais tarde vi notícias que as cores da bandeira lusa tinham sido cobrido o gigante de ferro, mas não, eram falsas. Para quê indignarmo-nos se também temos uma torre, esta que é só nossa.

 

belem.jpg

 

 

 

O regozijo dos Portugueses

 

twitter pt crlh.jpg ttwi pt.png

 

 

Não sou para sustos

Um opinião consensual entre quem me conhece é que sou forte, corajosa e bastante tolerante à dor, pelo menos nos aspectos do dia-a-dia. Não há agulhas, cadeiras de dentista, marquesas de esteticista, ratos, más disposições que me assustem. Quando toda à ficção sou a maior caguinchas que há. Muito raramente vejo filmes de terror, assusto-me só com os trailers, quase que conto numa mão os que já vi, o último foi há quatro anos "Mulher de negro". Sou uma pessoa prevenida, quando detecto alguma coisa mais suspeita anuncio logo "vai meter medo, vai meter medo, vai meter medo" e mesmo sabendo disso fico aterrorizada. Quando fico nervosa desato a falar. Os meus sobressaltos são sempre acompanhados por gritos, curtos mas relativamente altos e acabam por ser as minhas reações que assusta mais quem está a ver filmes comigo, às vezes mexo-me, escondo a cara nas mãos. A quantidade de sustos apanhados é directamente proporcional ao número de noites com a cabeça enfiada debaixo dos lençóis, sem me mexer, com problemas para adormecer. Numa ação de preservação da minha saúde mental e psicológica (e dos ouvidos alheios) deixei-me dessas coisas. 

 

giphy.gif

 

 

Ontem enquanto estava na internet deparei-me com um post num site de histórias de terror com duas frases, sim, chega para assustar, tive a brilhante ideia de ler, ainda podia ter esperado pela claridade do dia seguinte mas não, estupidamente senti-me corajosa e adulta para tal. Mas a verdade é que a coisa fica no nosso subconsciente. À noite, estava estendida debaixo da cama, a tentar ligar a ficha do candeeiro da mesinha à tomada esqueci-me que o interruptor estava ligado, quando estava a sair, virei-me de lado para me levantar, vi a minha sombra projectada na parede, apanhei um susto tão grande que ao mesmo tempo bati na cama e na mesinha, com sei lá quantas partes do corpo. Depois fiquei-me a rir sozinha da minha figura. Tenho de restringir todo o tipo de terror depois de escurecer.  

 

tumblr_moa24zU28A1qmxhobo1_500.gif

 

 

PS: Bolas, como eu enrolo para contar a mais mínima coisa, contextualizo tanto que quase começo no nascimento de Jesus.  

Fui aos saldos

Saldoss.jpeg

Túnica Zara

T-shirt franjas Tiffosi

T-shirt estampada Tiffosi

Top Zara

Jeans Zara

Perfume Mon Paris Yves Saint Laurent

Saber mais sobre a oferta Perfumes e Companhia

 

 

Eu estive no apocalipse consumista da Zara em 2015 e sobrevivi, este ano quando estava na mesma loja a luz foi abaixo, era uma fila enorme para pagar, durante um tempo ninguém entrava nem saia, os alarmes da entrada estavam off. Gramei porque é uma das minhas lojas favoritas.

 

O que mais queria mesmo era um top branco simples. Era para substituir um comprado na Mango há uns anos, de tecido fino e fresco mas opaco, tinha um bolso falso e as pontas da pouca manga dobradas. Muito desgostosamente queimei-o sem querer ao passar a ferro, a temperatura estava muito alta e não reparei, o tecido pegou logo e fez buraco. Este da Zara foi um achado, o tecido é mesmo o que estava à procura, só teve um ligeiro desconto do preço inicial porque já é da nova coleção. 

As calças são um modelo básico, muito confortáveis e não ficam a regar, a modelo das fotos é que é muito alta, tem mais dez centímetros que eu.

Tops já tenho bastantes mas pronto, foi mais um.

Como vem aí o tempo de voltar à faculdade é hora de adquirir algumas t-shirts, são do mais prático que pode haver, a das franjas foi amor a à primeira vista. Adoro a qualidade da marca e os preços eram bastante acessíveis.

Os brincos foram uma extravagância pelo brilho e comprimento, apetecia-me mesmo renovar o stock de acessórios. Ainda há nas lojas mas no site da Zara já não estão disponíveis.

O perfume da Yves Saint Lauren é novo, o cheiro nem é muito fresco nem muito intenso, acho que agrada aos dois gostos. Não estava nada à espera da oferta da Perfumes e Companhia, foi uma boa surpresa, o kit tem produtos óptimos e ainda um vale de desconto. 

 

A moda das tatuagens ou as tatuagens da moda

c9373ecdceaaf94d6b154795d7f95e5f.jpg

 

As tatuagens já há muito deixaram de ser um estereótipo dos que seguem a "má vida" das drogas ou cime nem dos que cometem um erro na rebeldia de adolescência, não são exclusivas dos motards, punks, rockeiros, ... É certo que há muitas profissões em que estas não podem estar à vista, mas acho que é mais por uma questão de uniformidade e padronização dentro dos moldes aceitáveis pela sociedade do que preconceito. Pelos mesmos motivos certas cores de cabelo também não são toleráveis. 

 

Em vários momentos da minha vida pensei fazer uma tatuagem, mas nunca tive coragem. Menos pelo lado da permanência e mais pela importância do significado do que poderia querer cravar para sempre na minha pele, quanto mais nos diz mais especial se torna. Não me incomodava ter a pele pintada, mas a escolha do quê matava-me. A preto e branco ou coloridas tudo depende do desenho, frase, símbolo. Pessoalmente não gosto das muito espaçosas, as tipo manga são para mim as piores, mas de vez em quando vejo umas grandes que são uma flecha no meu coração, depende, mas geralmente gosto mais de coisas simples e discretas. O importante não é que esteja visível para os outros à primeira vista, algumas vezes nem para nós, porque o importante é sabermos que lá está.

 

Acho que as piores coisas para tatuar são nomes dos pares (namorados, maridos), retratos (para isso existem as fotografias), também sei porque letra começa o meu nome e qual a minha data de aniversário por isso não preciso de o estampar, frases religiosas, terços e retratos de Cristo também deviam ficar de fora da lista, frases e palavras em idiomas em que não distinguimos sequer as letras é uma garantia certa para um erro de que nunca nos iremos dar conta.

Em relação ao sítio, há uns anos a moda ditava o fundo das costas, agora já não há imposições, todo o corpo é válido, atrás da orelha, pulso, tornozelo e pé para as tatuagens minimalistas, costelas, ancas, costas, braço e e pernas para as mais extravagantes.

Catching dreams, símbolo de infinito, ancoras, andorinhas, corações, as palavras love e yolo (a versão juvenil do Carpe Diem) , são as mais comuns entre as mulheres, e por muitas voltas que dê quem tenta explicar o significado pessoal que uma tatuagem destas possa ter a generalização já lhe sugou toda a essência.

 

 

FotorCreated11.jpg

 

 

A actriz Judi Dench decidiu fazer a sua primeira tatuagem aos 81 anos. Se na juventude um dos problemas futuros é o aspecto da tatuagem na velhice a veterana resolveu bem o problema. O presente de aniversário da filha foi a inscrição no pulso da expressão em latim Carpe Diem (aproveita o dia). Também esta expressão é um grande cliché. Foi generalizada por um grande filme "O clube dos poetas mortos", quando um professor de literatura incentiva os alunos a aproveitarem a vida, vivendo-a e desfrutando-a ao máximo porque esta é breve e efémera. Esta foi a filosofia que retive desde sempre, mas quando estudei a forma como se enquadrava na poesia de Ricardo Reis, um dos heterónimos de Fernando Pessoa, percebi que podia ser uma faca de dois gumes. A vida pode acabar tão repentinamente que há que a viver com moderação, não vale a pena cultivar grandes sentimentos nem relações ou criar apego a momentos. A partir daí nunca consegui desassociar Carpe Diem desta dicotomia, passou a ser uma máxima agridoce.

 

Este é um dos exemplos que me leva a acreditar que fazer uma tatuagem não é a moda, a moda é fazer uma tatuagem específica do que está em voga, copiar as de referência, mais veiculadas e aceites pelo maior número de pessoas. Perdeu-se a essência do porque fazer, só ficou o como. 

O cão abandonado da minha rua

Blogue 5 Set 2015 1.jpg

 

 

Desde que me lembro pela minha pequena rua sempre se passearam muitos animais vadios, foram quase sempre só gatas. Mais recentemente há quatro que todos os anos têm ninhadas, infelizmente (ou não), poucos sobrevivem, há dois meses nasceram seis no total, só um continua por aqui. A estas juntam-se sete cães que andam sempre em matilha. Esta semana apareceu outro, segundo as vizinhas, as senhoras que sabem sempre tudo, o cão foi trazido de carro, numa caixa que foi colocada ao pé do caixote do lixo. Enquanto que os outros vadios o podem ser de nascença, como as muitas gerações de gatos, este foi abandonado, o que custa ainda mais. O cão é lindo, muito bem tratado, limpo e com o pêlo bem aparado, óbvio que agora está mais magro. Nota-se que muito afável, fica todo feliz de ver gente e não é só porque isso significa comida, ele quer mesmo brincar. Eu e outras vizinhas damos os restos de comida aos cães na beira da estrada (por aqui passam poucos carros, quase só os moradores), para os gatos dou num prato posto na parte de trás da casa onde os cães não entram, se não limpavam tudo.

 

Faz-se o que se pode por animais que não são nossos porque também tenho o meu. Um gato muito vadio, faça chuva ou sol nunca pára em casa, anda sempre atrás das gatas (coitadas), ele é pai de meio mundo e só não há por aqui gatos porque ele os expulsa a todos, come como um leão e tomara eu que ele fosse mais caseiro. Ao contrário dele, um dia encontrei uma das gatas, a mais meiguinha, a dormir em cima da cama da minha mãe, mas tudo no maior respeito, foi só em cima do edredão.

 

O que me inquieta é não saber o que leva as pessoas a abandonar os animais? É o tempo de férias? Vão viajar, ou para hotéis, casas alugadas que não permitem animais? Não há ninguém na família que possa tomar conta deles? Eu sei que os gatos requerem menos atenção porque são mais responsáveis pela sua manutenção, nem sequer é preciso levá-los a passear ou a fazer necessidades. Nas férias deixo uma das janelas de trás abertas para ele poder entrar, comer o que quiser e sair, para o treinar foi só apontar-lhe a saída uma vez e bastou. Quando quer vai até à minha tia, na casa da frente, para variar o menu ou dormir no sofá dela.

 

Custa-me aceitar  ser assim tão fácil deixar de gostar de repente do nosso animal a ponto de o abandonar tão levianamente. Ao adoptar estamos a aceitar um compromisso para a vida. Os bichinhos não são peluches, são muito fofinhos quando são pequeninos, mas depois crescem, vão fazendo asneiras, dão trabalho, requerem atenção, dão despesa em alimentação e vacinação, é preciso pensar a longo prazo se há condições para aceitar um novo membro na família. Eles não têm culpa da irresponsabilidade de alguns, na verdade o verdadeiro animal é quem abandona, eles nunca nos deixariam.

Pág. 2/2