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Saidinha da casca

O blog pessoal de uma aprendiz da vida. Espaço de partilha de devaneios, teorias sensacionalistas, gostos, ideias, curiosidades e opiniões pertinentes sobre tudo, nada e mais um pouco.

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Filme: The revenant - o renascido

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Os Óscares estão quase a chegar e, como grande apreciadora de cinema que sou, tento sempre ver os principais filmes. Vi ainda antes da antestreia (às vezes a pirataria supera-se) aquele que anda nas bocas do mundo com o maior número de nomeações para os Óscares, no total 12 é The Revenant-o renascido. Pelas minhas previsões acho que vai arrecadar, pelo menos, com certeza o prémio nas mais cobiçadas categorias: melhor filme, actor e realizador. 

 

A trama retratada em "O Renascido" vem suceder a poesia, romances e outros filmes inspirados na mesma história de uma personalidade real do século XIX, contudo o final difere do verídico. A personagem de Di Caprio é Hugh Glass é um experiente caçador e comerciante de peles, que se encontra numa expedição acompanhado por muitos outros companheiros e o filho Hawk. Este é fruto de um relacionamento com uma indígena (vemos alguns flashbacks da relação de ambos e de Hugh com o filho), por isso não é muito bem aceite entre os demais caçadores. Naquela época era intenso o confronto entre os povos nativos e os americanos que os tentavam aniquilar, a fraternização entre povos não era vista com bons olhos por alguns. Durante uma emboscada dos índios com mortes de parte a parte, com cenas dignas dos filmes de Tarantino recheadas de violência, em fuga Hugh Glass é atacado por um urso. Ficou gravemente ferido no pescoço (impossibilitando-o de falar), num ombro e perna. As hipóteses de sobrevivência era muito escassas. No entanto houve quem se prestasse a cuidar dele enquanto os restantes procuravam salvação. Há um acontecimento que leva Glass ao abandono por parte dos colegas. A partir daí é uma luta constante pela sobrevivência face a condições extremas de temperatura, fome e confrontos com os nativos, para além da luta contra o próprio estado de saúde debilitado.

 

Esta é uma narrativa de disputas territoriais, lutas de poder, ganância, traições, vingança, honra, força de viver, instinto de sobrevivência. A trama não tem grandes reviravoltas, há apenas poucas surpresas, a ação é muito estática, centralizada na personagem principal, e sinceramente não consigo identificar o clímax, porque para mim a cena do ataque do urso marca verdadeiro o início da ação, as cenas anteriores foram contextualização. O filme é bastante logo, tem duas horas e meia. Mas não me senti nem um pouco aborrecida, para mim foi demasiado envolvente. Para mim o remate do filme foi muito bem conseguido e a última cena carregada de simbologia. Daí ter gostado tanto do filme, fui sofrendo com a jornada da Hugh Glass porque me liguei a ele. Se o filme é o melhor dos nomeados este ano ou o pior depende unicamente de cada um. Quem não sente a dor agonizante vai achar uma história maçadora e desinteressante, porque a trama não é nada por aí além. Este é o filme que se ama ou se odeia.

 

Quanto às estatuetas:

Não tenho dúvidas que este É O ANO para o Leonardo. Esteve tantos anos na friendzone do Óscar que este ano a relação tem de ser selada com o casamento. O seu desempenho é brilhante, estive tão concentrada na atuação que de repente me lembrei "qual foi a última vez que o Glass falou?" Realmente é impressionante pensar que ele pode ser consagrado por um personagem com pouquíssimas falas, que é todo construído com interpretação corporal. Que tormento passou DiCaprio para fazer o filme. Uma das piores coisas foi ter de comer fígado de bisonte cru, e a cena mostra a expressão de nojo verdadeiro por comer tal iguaria.

 

Já o ano passado tinha ficado fã da realização do filme Birdman de Iñarritu. Este ano não estou muito menos impressionada, todo o filme foi feito com a luz natural das paisagens reais. As filmagens que captaram os espaços envolventes e vistas aéreas, davam mesmo a sensação de que o caçador estava completamente sozinho, perdido longe da civilização. Os recursos digitais foram usados em muito poucas cenas. O que também colocou o Leonardo em situações muito difíceis incluindo caminhar em cursos de água a temperaturas dignas de causar hipotermia.

 

É importante também dar destaque à equipa de caracterização. As feridas causadas pelo urso foram feitas usando próteses e os acabamentos demoraram horas a serem finalizadas no corpo do actor. Se bem que este factor de caracterização perde um bocadinho o impacto aos olhos do público porque, claro, com aquele frio eram indispensáveis muitas camadas de roupa.

 

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