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Saidinha da casca

O blog pessoal de uma aprendiz da vida. Espaço de partilha de devaneios, teorias sensacionalistas, gostos, ideias, curiosidades e opiniões pertinentes sobre tudo, nada e mais um pouco.

Saidinha da casca

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Setembro é o meu ponto de viragem

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Setembro é para mim o mês de maiores mudanças, qual ano novo qual quê. Muitas pessoas voltam ao trabalho, eu volto ao estudo. Já é entusiasmante começar um ano letivo, mas esta semana comecei um novo ciclo de estudos, numa universidade diferente na cidade que já me é familiar, com caras novas, professores e colegas. Volto a ter horários, a criar uma rotina, gosto da organização e planeamento que esta nova fase implicam, de voltar a ser mais dona de mim mesma. Falei aqui do que esta nova fase significa para mim, do novo fôlego que ia ganhar.

 

Tive uma aula em que saí mais confusa do que o que entrei. O funcionamento das coisas é muito dinâmico e claro que tudo está organizado para nos tornarmos auto-suficientes. Isto é bom, assusta, como tudo o que é novidade, mas crescer é isto mesmo, só quer dizer que estou a viver a minha vida como é suposto. Logo no primeiro dia surgem os problemas, não dependem de mim mas calhou-me. É a universidade que ainda não acordou e faz as coisas meia a dormir. Tenho duas aulas sobrepostas, uma obrigatória, outra opcional, os horários não serão ajustados, fui gentilmente obrigada  a fazer inscrição a outra cadeira entes que o prazo acabe e eu tenha de pagar por isso. E o tempo extra que pensava que ia ter, porque ah e tal, são menos aulas há cursos em que são só ao fim de semana, nã nã ni nã nã, são aulas de manhã e de tarde todos os cinco dias da semana e os furos são para me enfiar no laboratório para uma prática de qualquer disciplina. Ainda ando às aranhas, meia perdida pelas ruas, sem saber ao certo o que está em cada esquina. Não estou sozinha nestas situações. E as saudades da mudança compensam e justificam tudo. A vida é mesmo resolver os percalços que nos aparecem, cumprir prazos, carregar responsabilidades e obrigações, pelo meio procuramos construir a nossa felicidade.  

 

O regresso às aulas

 

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Quando eu andava na primária até quase à secundária os dias que antecediam o regresso ás aulas eram os meus preferidos, significavam compras de material escolar. Claro que é uma alegria para os filhos a que os pais não acham piada nenhuma. Como se os livros já não fossem um balúrdio há uma longa e específica lista de objetos, ditos essenciais, para no final do ano só terem sido usados um punhado de vezes. Já  eu folheava o catálogo de compras como uma criança faz com o de Natal para escolher os presentes, já fazia a minha lista mentalmente. Na hora de passear o carrinho pelos corredores de supermercado perdia-me num mundo onde mal via o fim. Os artigos de papelaria sempre fizeram as minhas delícias, principalmente as canetas coloridas, faziam sempre dos meus cadernos os "mai" lindos da turma. Encapar os livros, fazer as etiquetas para colar em cada um dos lápis de cor, encher o estojo com tudo e mais alguma coisa eram tarefas tão prazerosas. Talvez não só pelo processo em si, mas pelo que significava aquele início, o rever dos amigos e colegas após longas férias. Que saudades desses tempos.

 

Durante esta semana em que fui passando pelo hipermercado comprei as poucas coisas de que precisava, duas recargas de folhas pautadas, duas capas de arquivo, um caderno A5, borrachas e afia tipo balde (sim sou esquisita, não quero fazer sujeira nem ter de me levantar para afiar), e mais nada, nadica de nada. Ai (suspiro), a tristeza de ser uma pré-adulta. E lá estava uma secção cheia de miúdos a tentar despercebidamente enfiar no carrinho aquele caderno da Elsa ou a lancheira do Mickey que os pais recusavam, enquanto estes tentavam pegar em todos os itens da lista para fugir o mais rapidamente possível. Pelo ar pairavam ameaças de "quando chegarmos à caixa vamos ver o que levas aí" e "ou levas este ou não levas mais nenhum". Nunca fui pedinchona por marcas, qualquer coisa me servia desde que achasse bonito, não corria atrás das caras dos bonecos como as crianças de agora, o merchandising da Disney enraíza-se de tal maneira nos pequenos que secam a carteira dos pais.

Aquele número no calendário

Sempre que começa um novo mês vejo por toda a internet frases que lhe dão as boas vindas, quase do tipo motivacionais ou religiosas. Muitas pessoas falam com o mês como se fosse uma espécie de Deus, nunca irá responder mas há crentes que nele depositam a sua fé em que o próximo conjunto de dias atenda as suas preces. Que o novo mês leve o antigo ("leve" mas para onde?), que os surpreenda (estão à espera de uma prenda de anos?), que traga felicidade, amor, sorrisos, e coisas boas em geral. Infelizmente em setembro os restantes portugueses regressam ao trabalho e aos estudos, estes motivos eram melhores para justificar uma virada da cara quando o mês começasse a passar por nós.

 

 

Qual é a panca? Isto acontece com os meses e as estações do ano, mas porque não repetir a proeza para os restantes dias da semana que não só a sexta feira, e então os dias, cada um é uma dádiva, cheio de possibilidades, pronto a ser aproveitado ao máximo. Será só um culto ao número um, a classificação vitoriosa, não sei, para mim é só mais um número no calendário. Isto parece-me ser só mais um dos muitos movimentos criados por quem não tem nada melhor e de maior conteúdo para dizer.