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Saidinha da casca

O blog pessoal de uma aprendiz da vida. Espaço de partilha de devaneios, teorias sensacionalistas, gostos, ideias, curiosidades e opiniões pertinentes sobre tudo, nada e mais um pouco.

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A moda das tatuagens ou as tatuagens da moda

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As tatuagens já há muito deixaram de ser um estereótipo dos que seguem a "má vida" das drogas ou cime nem dos que cometem um erro na rebeldia de adolescência, não são exclusivas dos motards, punks, rockeiros, ... É certo que há muitas profissões em que estas não podem estar à vista, mas acho que é mais por uma questão de uniformidade e padronização dentro dos moldes aceitáveis pela sociedade do que preconceito. Pelos mesmos motivos certas cores de cabelo também não são toleráveis. 

 

Em vários momentos da minha vida pensei fazer uma tatuagem, mas nunca tive coragem. Menos pelo lado da permanência e mais pela importância do significado do que poderia querer cravar para sempre na minha pele, quanto mais nos diz mais especial se torna. Não me incomodava ter a pele pintada, mas a escolha do quê matava-me. A preto e branco ou coloridas tudo depende do desenho, frase, símbolo. Pessoalmente não gosto das muito espaçosas, as tipo manga são para mim as piores, mas de vez em quando vejo umas grandes que são uma flecha no meu coração, depende, mas geralmente gosto mais de coisas simples e discretas. O importante não é que esteja visível para os outros à primeira vista, algumas vezes nem para nós, porque o importante é sabermos que lá está.

 

Acho que as piores coisas para tatuar são nomes dos pares (namorados, maridos), retratos (para isso existem as fotografias), também sei porque letra começa o meu nome e qual a minha data de aniversário por isso não preciso de o estampar, frases religiosas, terços e retratos de Cristo também deviam ficar de fora da lista, frases e palavras em idiomas em que não distinguimos sequer as letras é uma garantia certa para um erro de que nunca nos iremos dar conta.

Em relação ao sítio, há uns anos a moda ditava o fundo das costas, agora já não há imposições, todo o corpo é válido, atrás da orelha, pulso, tornozelo e pé para as tatuagens minimalistas, costelas, ancas, costas, braço e e pernas para as mais extravagantes.

Catching dreams, símbolo de infinito, ancoras, andorinhas, corações, as palavras love e yolo (a versão juvenil do Carpe Diem) , são as mais comuns entre as mulheres, e por muitas voltas que dê quem tenta explicar o significado pessoal que uma tatuagem destas possa ter a generalização já lhe sugou toda a essência.

 

 

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A actriz Judi Dench decidiu fazer a sua primeira tatuagem aos 81 anos. Se na juventude um dos problemas futuros é o aspecto da tatuagem na velhice a veterana resolveu bem o problema. O presente de aniversário da filha foi a inscrição no pulso da expressão em latim Carpe Diem (aproveita o dia). Também esta expressão é um grande cliché. Foi generalizada por um grande filme "O clube dos poetas mortos", quando um professor de literatura incentiva os alunos a aproveitarem a vida, vivendo-a e desfrutando-a ao máximo porque esta é breve e efémera. Esta foi a filosofia que retive desde sempre, mas quando estudei a forma como se enquadrava na poesia de Ricardo Reis, um dos heterónimos de Fernando Pessoa, percebi que podia ser uma faca de dois gumes. A vida pode acabar tão repentinamente que há que a viver com moderação, não vale a pena cultivar grandes sentimentos nem relações ou criar apego a momentos. A partir daí nunca consegui desassociar Carpe Diem desta dicotomia, passou a ser uma máxima agridoce.

 

Este é um dos exemplos que me leva a acreditar que fazer uma tatuagem não é a moda, a moda é fazer uma tatuagem específica do que está em voga, copiar as de referência, mais veiculadas e aceites pelo maior número de pessoas. Perdeu-se a essência do porque fazer, só ficou o como.